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18 maio 2007

Comments

Paula Rizzo

Valeu, Terence !
Aprendi um montão e já andei fuçando por aí com base nas suas considerações e hipóteses.
Genial
; )
Paula

Terence

Oi Paula, obrigado pelo comentário e os elogios - méritos do Léo. :-) Agora, sobre explicar a relação dos filipinos com o SMS, é complicado. Dá pra elaborar muita coisa. Mas primeiro, é o seguinte: é realmente muito barato. O SMS custa 1/20 do minuto de voz! Em uma população de baixa renda isso faz toda a diferença.

Agora, acrescente a isso o hábito: entre 1994 e 2000 as mensagens enviadas por celulares pré-pagos eram gratuitas, pois os sistemas de billing das operadoras não conseguiam fazer a cobrança.

Estes fatores acima foram potencializados por alguns componentes muito característicos da sociedade filipina: 1. De modo geral, os filipinos têm um certo desconforto para desenvolver conversações mais íntimas, em especial quando estão lidando com emoções (isso não sou eu quem digo, mas estudos que têm o povo como objeto). O SMS, portanto, abria um canal de expressão que não havia antes, e era necessário; 2. Um dito comum nas Filipinas é de que eles são os "empregados domésticos" do mundo, em alusão ao grande número de filipinos trabalhando em outros países, em geral sempre lidando com tarefas domésticas, por sua própria característica de povo ordeiro, pacífico e organizado. As operadoras nas Filipinas desde sempre ofereceram planos de SMS internacional, o que permitia às famílias se comunicarem com baixo custo.

Bom, esses fatores poderiam ser suficientes (e esse comentário já é maior que o post), mas eu vou dar meu pitaco sociológico. Há uma ferramenta analítica que utiliza duas categorias de ação social: voz e saída. Sendo bem conciso, quando você se encontra em uma situação de insatisfação, você em geral usa uma de duas estratégias: ou protesta (voz) ou vai embora, se move(imigração, por exemplo). Esta ferramenta, por exemplo, justifica a inexistência de partidos de esquerda nos EUA pelo fato de ter sido sempre possível buscar novos ares (a marcha para o oeste é um momento). Nas Filipinas sempre houve limitação à vocalização, e sair de lá, bem, já viu o mapa? Então eu considero que poderia haver uma demanda reprimida por comunicação, o SMS sendo o melhor meio de satisfazer esta. Nada mal para um sábado. :-)

Comentário-extra: No Brasil, acredito que tenhamos criado uma nova forma de ação: não se protesta, nem se move, mas burla-se a lei (justificadamente ou não).

Comentário-extra II: o SMS que era enviado durante a EDSA II, dizia o seguinte: "GO 2 EDSA. Wear blck."

Paula Rizzo

Pergunto pois em muitos países é barato também mas não se tem o mesmo efeito...

Paula Rizzo

Terence,

Impressionantes estas estatísticas. Existe alguma explicação (sociológica, econômica e/ou tecnológica) para esse uso tão intenso ?

Parabéns pelos seus posts. O seu texto é muito bom e as suas temáticas bem espertas.

; )
Paula

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