Entrevista: João Victor, Claro
Obviamente, as operadoras são players fundamentais do mercado de m-mkt. Pensando nisso, fiz uma entrevista com João Victor, Gerente de VAS e Mobile Advertising da Claro. Imperdível entender o que passa por uma das cabeças que movimentam o mercado mobile no país.
Por que mobile marketing?
São muitos os motivos que nos leva a crer que o uso do Mobile Marketing é um grande diferencial. O celular é o meio mais direto de contato com o consumidor final (B2C e B2B), tem baixíssima dispersão, permite seleção do público-alvo e rápida mensuração dos resultados. Vale reforçar que já são mais de 120 milhões de celulares em todo o Brasil, o que garante comunicação com praticamente todas as classes sociais. Todos estes aspectos justificam o potencial deste canal, e nós já temos alguns cases que comprovam que os resultados são realmente bons.
O que falta para o mobile advertising começar a ser percebido como uma opção de investimento publicitário?
O Mobile Marketing já é uma opção considerada pelos anunciantes mas ainda existe um problema estrutural, que inibe uma maior compreensão da mídia. Hoje percebo o momento do mercado brasileiro como algo muito parecido com o que víamos no início da internet. A ausência de padrões e da correta definição da cadeia, dificulta o entendimento e a escolha do Mídia de qualquer agência. A internet só começou a funcionar como mídia quando se estabeleceu um padrão no mercado, e é neste caminho que devemos seguir. Outro agravante é a percepção errônea de muitos profissionais ao pensar que o Mobile Marketing se resume ao envio de mensagens SMS para os clientes. O Mobile Marketing não é SPAM via SMS!
Operadoras, integradores, agencias mobile e agencias tradicionais. Há espaço e, principalmente, dinheiro para todos?
Num mercado onde se espera um faturamento acima de U$10 bilhões para 2011, não tenho dúvida que haverá espaço para muita gente. Não acredito no modelo de exclusividade entre operadora e integrador/distribuidor da mídia, a mim agrada um modelo com um volume limitado de distribuidores da mídia. Com corretas regras, o modelo não exclusivo garante maior cobertura do mercado, maior transparência para o anunciante, a sustentação do canal e espaço para aqueles que realmente tratam esta mídia com seriedade.
Cite um case nacional que te agrada.
Gosto muito dos cases da Fiat e também das mecânicas que permitem interação do consumidor com a marca do anunciante, caso de conteúdos patrocinados como jogos, músicas e vídeos. Existem novas campanhas que vão virar cases, a Unilever, por exemplo, está com uma campanha para o produto Seda que está muito bem estruturada e a mídia mobile faz parte da comunicação.
E um internacional.
Existem inúmeros cases que mostram a flexibilidade do ambiente móvel. Lembro-me de uma ação interessante feita nos Estados Unidos para o lançamento do automóvel Pontiac G6, onde os usuários eram estimulados a enviar fotos por MMS dos poucos carros que circulavam nas ruas. Também gosto muito dos cases de hotsites WAP especiais que passam informações relevantes para o público-alvo, lembro-me de Smirnoff (UK) e Knorr (Polônia).
Aponte uma tendência para o mercado.
Ainda vejo oportunidade para usar o conteúdo gerado pelo próprio usuário como base para muitas ações de mobile marketing. Não estou falando destas ações promocionais do tipo “envie seu vídeo e concorra”, refiro-me a ferramentas que permitam ao usuário obter algum benefício em troca da divulgação de um produto ou marca através do seu próprio ambiente móvel. Mais do que informação relevante, o mobile marketing tem que promover interação. Outras tendências (na verdade, já são “fatos consumados” no mercado internacional) que possuem potencial para o mercado nacional são: mobile search e distribuição de cupons mobile.

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